Por Redação
Salvador, BA – Na última quinta-feira, dia 9 de julho de 2026, a Rótula da Feirinha, tradicional ponto de encontro e coração pulsante de Cajazeiras, transformou-se no palco de uma das maiores manifestações populares recentes do bairro. Sob o lema estampado no manifesto oficial — “Cajazeiras não pode perder seu banco! Banco é direito, não é privilégio!” —, moradores, trabalhadores, comerciantes locais e lideranças sindicais se uniram em um ato público enérgico contra o anunciado fechamento da agência 0843 do Banco Bradesco.
O protesto, convocado por uma coalizão de entidades locais — incluindo CajaVerde, Recoocaz, Cajarte, Frente Ampla de Cajazeiras, Associação de Moradores da Fazenda Grande 2 e FABS —, contou com a presença do Sindicato dos Bancarios da Bahia e evidenciou o sentimento de revolta e a recusa da comunidade em aceitar o retrocesso imposto pelos “bancões”.

Quais alternativas para esse fechamento?
O esvaziamento bancário em Cajazeiras não é um fato isolado, mas o capítulo mais recente de um abandono sistemático promovido pelos grandes bancos privados. Nos últimos anos, a comunidade assistiu ao fechamento das agências do Itaú e do Santander, e agora enfrenta a saída do Bradesco. Essa debandada dos chamados “bancões” impõe uma rotina de castigo ao morador da periferia: filas quilométricas nas poucas lotéricas do bairro, comércio local asfixiado pela falta de circulação de dinheiro e idosos obrigados a pegar ônibus lotados para resolver serviços simples em bairros distantes. É a lógica da exclusão financeira ditada por instituições que lucram bilhões, mas fecham as portas para quem mais precisa de atendimento presencial e humanizado.
No entanto, a resposta para esse cenário de abandono não está em aceitar a humilhação dos aplicativos travados, mas sim em buscar a justiça financeira por meio do cooperativismo de crédito, onde o Sicoob surge como a alternativa mais viável e robusta. Enquanto os bancos tradicionais dão as costas para a periferia, o Sicoob seguiu na contramão do mercado e se consolidou como a única instituição financeira a abrir uma agência física de grande porte em Cajazeiras, localizada estrategicamente dentro do Shopping Cajazeiras. Essa presença física garante ao microempreendedor, ao trabalhador e ao aposentado do bairro o acesso a exatamente todos os produtos dos bancos convencionais — como contas, cartões, linhas de crédito humanas e investimentos —, com o diferencial de que os lucros e os ganhos retornam para o próprio associado e para o desenvolvimento da comunidade.
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A Força da Periferia na Luta contra a Exclusão Bancária
A cobertura fotográfica do evento revela uma mobilização robusta e organizada. Em uma das principais imagens da caminhada, manifestantes seguram uma grande faixa com os dizeres: “Contra o fechamento de agências”, assinada pelo Sindicato dos Bancários e pela FEEB (Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários). Com microfone em punho, lideranças comunitárias e sindicais revezavam-se nos discursos, ecoando as dificuldades que a saída do banco trará para a economia local.
A importância de uma agência física em um polo comercial do tamanho de Cajazeiras é vital. O encerramento das atividades prejudica diretamente os pequenos comerciantes, feirantes e prestadores de serviço que dependem da movimentação diária de numerário e de serviços bancários presenciais. Além disso, penaliza severamente o público mais vulnerável, como aposentados e pensionistas com mais de 50 ou 60 anos, que encontram imensas barreiras digitais e agora serão forçados a se deslocar para outros bairros distantes apenas para receber seus benefícios ou resolver problemas simples em suas contas.
Mídia, Comunidade e Segurança nas Ruas
O ato ganhou ampla repercussão no território e atraiu a atenção de diversos comunicadores populares e equipes de imprensa. Equipados com câmeras fotográficas e gravadores, profissionais de portais locais — incluindo repórteres vestindo a camisa do portal CajaCity — registraram o clamor dos moradores que paravam na ladeira para ouvir os discursos e manifestar apoio.
A manifestação ocorreu de forma pacífica, mas com a firmeza de quem sabe o valor dos seus direitos. Para garantir o ordenamento do trânsito na movimentada região da Feirinha e a segurança de quem participava do ato, viaturas da Guarda Civil Municipal de Salvador e da Polícia Militar estiveram presentes, acompanhando o fluxo da caminhada e a dispersão dos manifestantes ao redor das tendas de apoio armadas na praça.
Essa mobilização deixa um recado claro e contundente para as diretorias das grandes instituições financeiras: a periferia de Salvador não aceitará passivamente ser tratada apenas como estatística de lucro. A autonomia e a dignidade de Cajazeiras permanecem em pé, e a comunidade promete intensificar a resistência caso o fechamento arbitrário da agência não seja revisto.
